terça-feira, 4 de maio de 2010

Nobres Vagabundos


Vagabundo

Por vezes o vagabundo não trabalha porque quer.
Outras tantas, o mesmo vagabundo, gasta o pé
Atrás de trabalho, dinheiro, trampo, din-din...
São tantos!

Tantos vagabundos ganham a rua num segundo
Se o mundo de lá grita:
“Há uma vaga ainda!”.

Sim meu caro, há dois mundos, dois lados:
O de lá que trabalha, produz;
Que na testa suada reluz a graça
Da pança cheia, da boa casa;
Dos que buscam o ócio, o lazer...

E O de cá, o que fazer?
Esperar. Acreditar em dias melhores e emagrecer.
Não ver beleza no Bolsa Família,
Mas disso depender ainda
Para, nas pesquisas do Governo, receber
O grandioso epíteto do verbo “sobreviver”.

Do ócio têm de sobra.
Fosse na Grécia, seriam gênios, matemáticos, filósofos...
Mas pra quem nem tem o que comer, não ter educação no Mundo
É suficiente para conceber
Mais outro vagabundo:
V-A-G-A-B-U-N-D-O.
*****
Na foto, Charles Chaplin.

sábado, 10 de abril de 2010

um pOuco de Jacques...

Déjeuner du matin

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler

Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder

Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder

Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré

(Jacques Prévert)

..................................................

Jacques Prévert nasceu em 4 de Fevereiro de 1900, na França. Em seus poemas, Prévert utilizou todos os truques do idioma francês para escrever seus textos: trocadilhos, palavras contendo aliterações e outros.

Com "Déjeuner du matin" ele ofereceu um dos mais belos poemas da língua francesa.

Com sua morte em 11 de Abril de 1977, como resultado de um câncer dos pulmões, a França perdeu um de seus gênios. Em homenagem a este grande poeta, dezenas de escolas, ruas e praças receberam seu nome.

Quer saber mais sobre este grante escritor? Clique aqui!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Senhoras e Senhores: Madú!!!!

Abaixo, um pequeno poema dessa minha grande amiga e companheira - Madú.

Nova ID

Hoje minha vida mudou.
É verdade! Eu também já não sou mais quem sou.
Mudei de nome, endereço e de sexo
Já não penso como antes, já não amo como louco
E nem me apaixono como um fraco
Não acredito no que é certo
E nem sei se existe o errado.
Pouco me importo com meu passado
Perdoo meus inimigos
E não tenho mais amigos.
Ando sempre a vagar por estradas desertas...
Não me preocupo com perigo.
Deixei no passado o pior de todos:
o de se entregar e confiar
Não penso em voltar a ser quem fui
e retornar ao meu endereço
Pois agora estou feliz em ser quem sou:
Bebo como louco,
Não amo como desesperado
Não sofro como condenado
E nem me apaixono como um fraco.
...
Meio catarse, meio dramático...Meio homem, meio mulher...MEIO TERMO. Essa é Madú: uma escritora sem sexo definido. Não, não trata-se de anatomia ou opção sexual: Trata-se do sentir e do expressar.
Gostou? Leia mais Aqui.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Oração poetica

Maria

Doce Maria,
Tu que me fitas com este meigo olhar,
Imaculado e puro,
Conduza-me ao que é bom no mundo
E ao que será.
Fazei de meu poema
Um ponto um trema
Que acrescente simplesmente
Algo mais ao linguajar.
À minha insônia traga a paz
E não me abandone jamais
Quand’Eu só em qualquer dia
Quand’Eu barco a deriva
Quando um vinho e Eu...
Brinde comigo à inconstância do meu verso
Aos amores tão diversos
Aos pingos da chuva e ao breu.
Dê-me inspiração também
Pra que eu não dependa somente de musas,
Amém.

Preguiçaaaa....

Caros amigos, sinto-me convidado a voltar a escrever pois já faz algum tempinho desde a ultima postagem...
mas, abaixo encontra-se um resumo do que me ocorreu dentro deste..."tempinho":

- Criei uma banda com uns amigos (chamava-se Prefácio).
- Tocamos na noite e fizemos uns três gatos pingados de fãs.
- descemos do palco devido a uma pessoa que teve medo da concorrência.
- brigamos.
- fim de banda.
- começo de uma outra banda (Voodoo)
- início de produções.
- divulgação.
- preguiça.
- preguiça.
- preguiça....

bom...como viram, fora isso, não tenho feito nda!
hehehe...sacanagem: o Boca de Cena, grupo de Teatro com o qual tenho a honra de está trabalhando estará entrando em cartaz a partir da próxima semana (a primeira de março) no Projeto Teia e no projeto Pé na Estrada, do Sesc. Ah! e estaremos dando a cara a tapas também no Festival Nacional de Teatro.
Aproveito para convidar a todos (e no caso de haver alguma feminista ae do outro lado, a "todas" tb...rsrsr)
Conto com a presença de vocês...

ah..caso a gente deixe a preguiça e toque na noite novamente, eu aviso vcs...precisamos de vaias pra viver..heheh...

Paz e Luz a todos.

Preguiçaaaa....

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Textos...

O Desejo do Verme

Eu, Verme, quero sim lamber
Teu ventre, Tua pele.
Quem sabe roer
Tu’alma e Teus últimos gestos.

Mastigar cada verso Teu
Perdido
Passado
Não captado pela mão

E digerir-te
Traço a traço na ferida exposta
Livro aberto
Letra morta.

Quero sim ser, enfim,
O teu destino final,
Mar aberto de Teu rio esguio
- Verme sina e fim.